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sábado, 10 de setembro de 2011

Sonhos de Deus


Quem me disser onde, na Bíblia inteira, está a passagem que apresente algum compromisso assumido pelo Senhor Deus para com os homens em relação à realização de sonhos, por favor, me mostre com urgência! Não aguento mais ter que ouvir esta baboseira de que "Deus está restaurando seus sonhos..."
Se formos analisar criteriosamente, quase todos os personagens bíblicos NÃO TIVERAM seus "sonhos" realizados da forma mentirosa e manipuladora que essa canção promete:
Moisés, que por algum tempo foi o "príncipe do Egito", será que sonhou em tirar umas férias de 40 anos no deserto? Pior ainda, o principal sonho que realmente teve, o de entrar na terra prometida... não se realizou  e ele só pôde ficar olhando, de longe!
Sansão com seus cabelos mega-power... realizou seus sonhos?
Vejam Salomão e toda a sua sabedoria... ele até realizou o sonho da nação de Israel, que era estabelecer o Templo, mas... como terminou sua vida? Será que seu sonho se realizou ao ter o seu reino rasgado (vide 1 Reis 11)?
O apóstolo Paulo, cidadão romano, esse sim teve seus sonhos realizados: apanhou , foi preso... passou até necessidade!!!
Fora toda uma lista de pessoas que morreram apedrejadas, decapitadas... o próprio Senhor Jesus Cristo "sonhou", por um brevíssimo momento, que o cálice de seu sacrifício pudesse ser evitado!
Acho que Deus não está ligando muito e nem nunca ligou para os "sonhos" de nenhum ser humano... e, por acaso, tem até alguma coisa na Bíblia falando sobre isso:
"O coração do homem planeja o seu caminho, mas o SENHOR lhe dirige os passos." (Provérbios 16:9)
"Há um caminho que parece direito ao homem, mas o seu fim são os caminhos da morte." (Provérbios 16:25)
"E os que são de Cristo crucificaram a carne com as suas paixões e concupiscências." (Gálatas 5:24)
"Tendo, porém, sustento, e com que nos cobrirmos, estejamos com isso contentes. Mas os que querem ser ricos caem em tentação, e em laço, e em muitas concupiscências loucas e nocivas, que submergem os homens na perdição e ruína. Porque o amor ao dinheiro é a raiz de toda a espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores." (1 Timóteo 6:8-10)
É claro que o Senhor pode permitir a realização dos sonhos de um cristão, mas isso não é e nem nunca foi promessa ou pacto assumido por Ele e nunca deveria ser a base para um suposto "louvor" que, ainda por cima, inventa um monte de unções que nunca foram citadas na Palavra... talvez porque a única unção de que nós, gentios, necessitemos e disponhamos seja a ação do Espírito Santo em nossas vidas! E essa ação é multiforme e poderosa, sendo nos dada diretamente pelo Senhor e de acordo com Sua soberana vontade! 
Deus é Fiel? Sem dúvida! É tão fiel que nos concedeu a existência de Sua Palavra, para que consultássemos e soubéssemos identificar quando os lobos vorazes chegariam e, assim como a serpente convenceu Eva, tentariam nos convencer do "valor" de nossos sonhos!
Diante de tais evidências, podemos concluir que, mais uma vez, este é mais um exemplo de lixo teológico repleto de boas intenções, palavras "positivas"... e totalmente carente de amparo bíblico para existir!
Os sonhos que estão se realizando por causa de louvores como esses são os de seus "geniais" e "inspirados" compositores e cantores, que estão enchendo os bolsos por falar mentiras e, por tabela, conduzir milhares de incautos à idolatria e à perdição.
12/12/2010: Só para confirmar a inutilidade e a malignidade tanto da canção quanto da intérprete, nesta data ela se apresentou no "domingão do Faustão", usando calças de homem e em "harmonia" com um padre. Resultado: influências estimulantes tanto ao homossexualismo quanto ao ecumenismo.

Retirado da internet

Sabor de Mel ou sabor de fel?


Temos vivido dias difíceis sobre a face da Terra. Estamos na iminência do término da dispensação da graça, vivenciamos todos os fatos que indicam o que o Senhor Jesus denominou de “princípio das dores” (Mt.24:8), ou seja, o início da agonia que o mundo sofrerá quando for chamado a juízo diante de Deus, pois a medida da injustiça desta geração está para ser completada.

Uma das características marcantes deste tempo, diz-nos o apóstolo Paulo, é a “egolatria”, ou seja, a “idolatria do eu”, o “individualismo”, pois os homens passam a ser “amantes de si mesmos” (II Tm.3:1,2), onde a autoestima se transforma em obsessão, regendo e escravizando as pessoas de tal maneira que todos buscam o que é de seu interesse, não o que é de interesse do outro, muito menos o que é do interesse de Deus (Fp.2:21).

As pessoas, dentro de um ambiente de competição, de um “salve-se quem puder”, cada vez mais intenso, passam a procurar apenas o seu próprio bem-estar, pouco se importando seja com o próximo, seja com Deus. Querem ter vantagem, querem se sobressair, querem ter sucesso, fama, posição, inclusive no meio eclesiástico, não tendo qualquer espaço para o outro em seus projetos, planos e imaginações.

Tal atitude, inclusive, tem contaminado a vida espiritual de muitos dos que cristãos se dizem ser na atualidade. Não são poucos os pregadores que também têm incentivado uma conduta individualista e egoísta nos púlpitos, tanto que são extremamente populares, em nossos dias, os ensinos das chamadas “teologias triunfalistas”, “teologias da prosperidade” e “teologias da confissão positiva”.

Tais ensinos procuram enaltecer a figura humana, mostrar que os crentes são “filhos de Deus” e que, portanto, “tudo podem”, “não são donos do mundo, mas são filhos do dono”, “têm promessas de Deus”, “têm direitos diante de Deus”, motivo pelo qual “não podem aceitar o sofrimento, a miséria, a doença e todo e qualquer mal”.

A fé deste “crente” é uma arma para “determinar” Deus, para “obrigar” o Senhor a cumprir o que está na Sua Palavra, para “colocar Deus contra a parede”.

O resultado disto é que, aos olhos dos crentes, o mundo passa a ter o “crente” como o centro, tudo existe em razão deste “filho de Deus”, que se porta como um “filho caprichoso”, um “filho mimado”, que, num passe de mágica, pode obrigar Deus a fazer tudo o que o crente quer e deseja, pois o Senhor está “preso” pelas Suas promessas, pela Sua Palavra.

Estes ensinamentos, completamente equivocados e que estão completamente divorciados do que dizem as Escrituras, estão em perfeita concordância com a Nova Era, que parte do mesmo pressuposto de exaltação do homem em detrimento de Deus, num “endeusamento do homem” que, se na Nova Era é explícito, neste “evangelho individualista” é camuflado e enrustido.

A Palavra de Deus mostra-nos, sem dúvida, que o ser humano tem valor diante de Deus. Não o tivesse, o Senhor não teria Se feito homem e morrido na cruz do Calvário para salvá-lo. O salmista é bem claro ao mostrar que toda a criação não vale uma alma humana (Sl.49:7,8) e que Deus honrou o homem acima de toda a criação terrena (Sl.8:4,5).

Não se pode, pois, desvalorizar o ser humano, tanto que um dos princípios da ética bíblica é o da dignidade da pessoa humana, a consideração de que nada no muito é mais valioso do que o ser humano.

No entanto, a valorização do ser humano não pode ser tal que seja ele posto acima de Deus. Deus é o Senhor e nós, servos; Deus é o Criador de todas as coisas, nós, Suas criaturas; Deus manda, nós obedecemos. Este é o ensino que permeia todas as Escrituras Sagradas e que não podemos, de modo algum, distorcer. Deus Se fez homem, mas o homem jamais chegará a ser Deus.

Por isso, é dever do homem temer a Deus e guardar os Seus mandamentos, sabendo que o Senhor, o juiz de toda a Terra (Gn.18:25), é soberano e nos trará a juízo por tudo o que tivermos feito, quer seja bom, quer seja mau (Ec.12:13,14).

O reconhecimento da soberania divina, ou seja, de que Deus é o Ser Supremo, o Senhor de todas as coisas, inclusive de nós mesmos (Sl.24:1), é fundamental para que venhamos a alcançar a vida eterna.

O Evangelho apresenta-se, na atualidade, como “antipático” e “fora de moda”, precisamente porque os homens de nossa geração não aceitam a ideia de que são menos do que nada (Is.40:17; 41:24), que nada podem fazer sem Jesus (Jo.15:3) e que devem, por isso, crer no Senhor e obedecer-Lhe em todas as coisas para que alcancem o objetivo divino para a humanidade(Jo.3:16), que é o de serem parceiros do Senhor na existência eterna (Ap.21:3).

Quando o homem toma consciência de sua pequenez e de sua dependência de Deus, passa a ter algumas atitudes bem diferentes daquilo que é preconizado e divulgado pelo mundo onde vivemos. Passa a se guiar pela fé em Deus, pela confiança no que o Senhor diz na Bíblia Sagrada, e não mais pela razão ou pela imaginação humanas. Passa a ter em Deus a sua razão de viver, em fazer do agrado a Deus o motivo de sua existência, não mais a busca da sua satisfação ou da realização de seus desejos e paixões.

Por causa desta nova perspectiva de vida, o homem passa a adorar a Deus, adoração que não significa, em absoluto, a adoção de métodos e ações que o faça se sentir bem e entender que está se portando convenientemente diante de Deus, mas a expressão da gratidão ao Senhor pelo que Ele é, o reconhecimento de que não merecemos todo o cuidado do Senhor, mas que Ele é digno de toda honra e de toda a glória.

Quando nos rendemos ao Senhor, passamos a reconhecê-lO pelo que Ele é, transformamo-nos em verdadeiros adoradores, que O adoram em espírito e em verdade (Jo.4:23,24), nossos louvores passam a ser dirigidos para Deus, pois só Ele é, mais ninguém. Passamos a ter prazer em louvar a Deus e a todos os Seus atributos, a exaltá-lO, porque Ele é Deus.

Os louvores que surgem, pois, são “hinos a Deus”, pois, como ensinam os estudiosos de literatura, “hino é uma composição que exalta alguém, que louva, enaltece alguém ou alguma coisa”. Uma das características destes louvores, portanto, é a presença do Senhor como o alvo do louvor, como a razão de ser da nossa existência, como Aquele que merece toda a honra, toda a glória, todo o temor.

Quando ouvimos alguém afirmar que “castelo forte é o nosso Deus, espada e bom escudo”; quando vemos dizer que “Oh, quão bom é o nosso Deus, tudo preparou para os Seus”, ou, ainda, outro, falar-nos que “Adorai o Rei do Universo”, percebemos que seus autores dirigem-se ao Senhor, porque sabem que “dEle e por Ele, e para Ele, são todas as coisas; glória pois a Ele eternamente” (Rm.11:36).

No entanto, nos difíceis dias de nossa geração, quando o individualismo toma conta, não é este o alvo dos louvores e dos cânticos. Bem ao contrário, notamos que há uma prevalência do “eu”, uma exagerada autoestima, um “endeusamento do crente”, que passa a ser o sentido e a direção das composições.

O leitor deve ter percebido que o enfoque da atualidade não é a graça de Deus, o favor imerecido do Senhor em relação aos homens, mas, sim, a “vitória”, entendida esta vitória como sendo a superação do crente sobre os outros, sobre os “inimigos”, considerados eles indistintamente como os outros seres humanos ou as forças malignas.

Hoje em dia, o “crente” fica contente de poder cantar que está ali para “vencer ou vencer”, que ele é alguém que “arrebenta”, “vence”, “triunfa”, que sempre tem à sua disposição o Senhor que, como um empregado, está sempre pronto a lhe satisfazer os caprichos e as adversidades da vida.

Vangloria-se o homem, que tem o “direito de vencer” e se menciona o nome de Deus apenas para dizer que é Ele quem deve fazer o crente vencer, porque é obrigado a isto. Assim, em vez daqueles louvores ao Senhor, ouvimos, quase sempre, louvores ao homem. Afinal de contas, “eu nunca vi um escolhido sem resposta”, “você nasceu mesmo pra vencer”, “você tinha mesmo cara de vencedor”, “é mesmo escolhido”.

Esta exaltação do ser humano faz com que os louvores, na atualidade, sejam verdadeiras “massagens do ego”, “desabafos carnais”, pois é uma oportunidade em que o “eu” mostra toda a sua “revolta” pelas adversidades e “cobra” de Deus a solução para elas, pois “isto não pode ficar assim”.

Chega-se, mesmo, a desejar a bênção de Deus para que ela seja lançada em rosto como vingança aos outros que, por um motivo ou outro, não ajudaram o “crente” na hora da dificuldade.

Está-se a defender a ideia de que a bênção de Deus é uma “vitória com sabor de mel” porque “quem te viu passar na prova e não te ajudou, quando ver você na bênção vão se arrepender”.

A bênção que Deus nos dá não foi concedida para que o nosso “eu” prevaleça, não tem como objetivo fazer-nos considerar “superiores” ou “vingados” diante dos outros, mesmo que estes outros sejam nossos inimigos e tenham querido o nosso mal.

A bênção de Deus manifesta-se em nossas vidas para que sejamos instrumentos para a glorificação do nome de Deus (Mt.5:16; Jo.9:3). O resultado de nossa fé em Deus é vermos a glória de Deus (Jo.11:40).

Deus nos abençoa não só porque nos quer fazer bem, mas, principalmente, para que o Seu nome seja glorificado. Quando somos alvos da bondade de Deus, não podemos nos gloriar, mas, sim, devemos glorificar o nome do Senhor. Não podemos nos gloriar em nossa sabedoria, nem em nossas riquezas, tampouco em nossa força, mas única e exclusivamente no Senhor (Jr.9:23,24; I Co.1:31; II Co.10:17).

Deus, em Suas operações, inclusive, escolhe as coisas vis e desprezíveis, as que não são para aniquilar as que são, precisamente para que nenhuma carne se glorie perante Ele (I Co.1:28,29).

Duas coisas há nas Escrituras que Deus não compartilha com qualquer outro ser no Universo, pois são Suas prerrogativas exclusivas, decorrências diretas de Sua soberania: a glória e a vingança.

Uma bênção de Deus jamais poderá servir para que alguém se glorie, a não ser no Senhor. Não podemos nos gloriar nos homens (I Co.3:21) e, em virtude disso, sempre que formos alcançados pela misericórdia do Senhor, devemos a Ele render glória, jamais permitindo que a vanglória nos domine.

Há um perigo muito grande quando queremos tomar para si algo que é feito por Deus, porque as bênçãos de Deus não advêm de nossa justiça, mas, antes, da misericórdia divina (Dt.9:5; Lm.3:22). A Bíblia está repleta de exemplos de pessoas que quiseram, de alguma maneira, mostrar-se grandes por causa da bênção do Senhor e foram severamente punidas por querem arrogar para si algo que não lhes pertencia, como é o caso de Davi, na numeração do povo (II Sm.24); de Nabucodonosor, na admiração de Babilônia (Dn.4) ou de Herodes Agripa, quando aclamado pelo povo por sua retórica (At.12:20-23).
Nos dias em que vivemos, onde todo o culto é voltado ao “eu” e não ao homem, é uma tendência grande a glorificação do crente, o seu indevido engrandecimento diante da bênção do Senhor. Chega-se, mesmo, a ensinar que o “crente” está acima dos poderes malignos, que pode “pisar o diabo”, “desalojar espíritos territoriais”, enfim, ser um “supercrente”, quando tudo isto é extremamente perigoso e revela tão somente a falta de consciência de que se está diante do Deus Todo-Poderoso.

O apóstolo João foi bem claro ao mostrar que “maior é O que está conosco do que o que está no mundo” (I Jo.4:4b), querendo, com isto, dar-nos a certeza de que nós nada somos, nada representamos, mas que Deus, que está em nós, é tudo e a razão de nossa vitória. Como disse Paulo, “temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus e não de nós” (II Co.4:7).

Quem somos nós, então, para desejarmos “estar no palco”, no centro das atenções, com uma plateia a nos olhar, se temos de refletir como um espelho a glória do Senhor e o mundo não nos veja, mas, sim, a Cristo em nós (II Co.3:18)?

Quando passamos a desejar que todos nos vejam, que todos nos olhem, que sejamos o centro das atenções, estamos completamente desvirtuados do propósito de Deus nas nossas vidas, pois temos de ser “cristãos”, ou seja, “parecidos com Cristo”, apenas um instrumento para que os homens, ao ver nossas boas obras, glorifiquem ao Senhor que está nos céus (Mt.5:16), até porque Deus não dá a Sua glória a outrem (Is.48:11b).

Mas, além da glória, há uma outra prerrogativa exclusiva de Deus: a vingança.

Em mais de uma oportunidade no texto sagrado, o Senhor ressalta que só a Ele cabe a vingança (Dt.32:35; Rm.12:19; Hb.10:30).

Deus somente pode Se vingar, porque Ele é o juiz de toda a terra(Gn.18:25). Só há um julgador, que é o próprio Deus (Tg.4:12).

Se somos abençoados pelo Senhor, esta bênção, certamente, representa, também, juízo para alguém. Assim como a entrada na Terra Prometida era uma bênção para Israel e representou juízo para os moradores até então de Canaã (Gn.15:16; Dt.18:9-12).

No entanto, não cabe ao abençoado aproveitar-se da bênção para “se vingar”, para “desforra”, para “lançar em rosto o bem àqueles que o prejudicaram”. Muito pelo contrário, a Bíblia nos ensina que se o nosso inimigo tiver fome, devemos dar-lhe de comer; se tiver sede, devemos dar-lhe de comer (Rm.12:20). Temos de vencer o mal com o bem (Rm.12:21).

O Senhor Jesus ensinou que os Seus discípulos se distinguem dos outros homens precisamente porque amam os seus inimigos (Mt.5:44-47). Se não excedermos em justiça os escribas e fariseus, não poderemos entrar no reino dos céus (Mt.5:20). Como, então, agir como os incrédulos, que odeiam os seus inimigos?

A bênção do Senhor enriquece e não acrescenta dores (Pv.10:22). Na Versão Almeida Revista e Atualizada, inclusive, é dito que, com a bênção, o Senhor não traz desgosto. Como, então, usarmos a bênção de Deus para “lançar em rosto” dos inimigos a nossa vitória? Como desejar que esta bênção sirva de humilhação e de vergonha para os que não nos ajudaram enquanto estávamos passando dificuldades? Se Deus não Se agrada que nos alegremos com o fracasso do inimigo, muitas vezes proporcionado pelo próprio Deus (Pv.24:17), como ficará alegre se usarmos a bênção de Deus para o humilharmos?

O objetivo do Senhor, quando nos abençoa, é enriquecer a todos quantos nos vejam, enriquecimento não material (embora isto até possa ocorrer episodicamente), mas um enriquecimento espiritual, que leve todos a reconhecer que “só o Senhor é Deus”. A bênção do Senhor é um “sinal para bem, para que o vejam aqueles que me aborrecem e se confundam, quando Tu, Senhor, me ajudares e consolares” (Sl.86:17).

Embora a bênção de Deus seja motivo de confusão e de vergonha para os nossos inimigos, o certo é que esta vergonha e confusão virão da parte de Deus, a quem cabe somente a vingança. Nós devemos usar esta bênção para ser um “sinal de bem”, para ser uma prova do consolo e da ajuda do Senhor a nosso favor, não para “lançamento em rosto”, para que saciemos um “desejo de vingança”.

Como, porém, muitos estão voltados ao culto e ao louvor do “eu”, é natural que, em vindo uma bênção do Senhor, queiram “subir ao palco”, “ter uma plateia” e, ali, sendo o centro das atenções, venham a lançar em rosto de seus adversários a sua nova posição, num gesto diametralmente contrário ao de Deus, que não lança em rosto o que dá (Tg.1:5).

Quem assim age mostra, claramente, que tem seu coração cheio de mágoa, de amargura, que agora é descarregada em forma de vingança, de humilhação de quem “não te ajudou”. O coração apresenta, assim, um amargor que agora destila para “desforra” do próximo.

Mas, perguntamos aos amados irmãos: quem assim age revela ter doçura ou amargura?

Evidentemente que quem age assim mostra que tem amargura no coração, uma mágoa que agora se transforma em vingança, em revide, em revanche. Se tem amargura, é porque está privado da graça de Deus, pois a raiz de amargura, diz-nos o texto sagrado, priva as pessoas da graça divina, fazendo, inclusive, que, brotando, perturbe e venha a contaminar a muitos (Hb.12:15).

Que “crente” é este que, com sua “bênção”, faz surgir uma raiz de amargura que o priva da graça de Deus, que perturba o ambiente e contamina a outros (muito provavelmente toda a sua “plateia”)? Antes de ser um filho de Deus, não será um verdadeiro agente do inimigo de nossas almas, a promover morte, roubo e destruição de vidas espirituais (Jo.10:10)?

Será que esta vitória, em vez de “sabor de mel”, tem, na verdade, um “sabor de fel”?

Não estaríamos, então, a chamar o que é amargo de doce e o que é doce de amargo (Is.5:20)?

Como querermos que “quem te viu na prova e não te ajudou, quando ver você na bênção vão se arrepender” e, ainda assim, nos chamarmos de “escolhidos de Deus”?

Jesus nos escolheu para que fôssemos, déssemos fruto e nosso fruto permanecesse (Jo.15:16). Humilhar os nossos inimigos, fazê-los passar vergonha diante de uma “plateia”, enquanto nós estivermos no “palco”, é produzir o fruto do Espírito Santo? É mostrar que estamos ligados na videira verdadeira, O qual quando injuriado, não injuriava, e quando padecia, não ameaçava, mas Se entregava Àquele que julga justamente” (I Pe.2:23)?

Parece-nos que não!

Por isso, preocupamo-nos muito quando este tipo de mensagem é apresentado nas igrejas, ainda que em forma cantada, e encontra guarida nos corações dos que cristãos se dizem ser, que assumem, desta maneira, que pouco se importam com a soberania divina, que não atentam para o fato de que a glória e a vingança pertencem unicamente ao Senhor, mas que estão decididos a se envaidecer, a massagear os seus “egos”, custe o que custar, venha o que vier.

Será que podemos voltar ao foco da adoração ao Pai em espírito e em verdade? Será que podemos tornar a ser filhos de Deus? Será que poderemos retornar à “mensagem da cruz”, que nos mostra nossa inutilidade e a total dependência que temos de Cristo Jesus?

Será que podemos renunciar a nós mesmos, tomar a nossa cruz e seguir a Cristo? Será que voltaremos a compreender que devemos rejeitar o fel que nos oferece o mundo (Dt.29:18; Sl.69:21; Mt.27:34), ainda que vendido como “sabor de mel” e amar uns aos outros como Deus nos amou, sendo obedientes ao Senhor (Jo.15:12)?

Será que voltaremos a entender que a verdadeira “vitória com sabor de mel” depende do fato de que devemos perder a vida por amor a Jesus para achá-la (Mt.10:39; 16:25; Mc.8:35; Lc.9:24; 17:33; Jo.12:25)?

Que Deus tenha misericórdia de nós e que nos voltemos para as Escrituras, elas, sim, mais doces do que o “sabor de mel” (Sl.19:10; 119:103)



http://aandremoreira.blogspot.com

Hinos, louvores, canções inspirativas, ?


Assim começa o Salmo 20: “O SENHOR te ouça no dia da angústia; o nome do Deus de Jacó te proteja” (v.1). Não vemos aqui propriamente um hino de louvor a Deus, mas uma mensagem para o rei. Mesmo assim, a grandeza do Senhor é o que mais se destaca nesse salmo.

No Salmo 37, a letra da composição também é um estímulo para o justo: “Não te indignes por causa dos malfeitores, nem tenhas inveja dos que praticam a iniquidade. Porque cedo serão ceifados como a erva e murcharão como a verdura” (vv.1,2). No entanto, nota-se, nos quarenta versículos desse salmo, que a ênfase recai na Ajuda do Alto para os servos do Senhor.

Harpa Cristã — hinário oficial das Assembleias de Deus, editado pela CPAD —, a despeito de não ser perfeita, segue o estilo contido nos Salmos. A maioria das suas composições é de louvor a Deus, mas também possui hinos com mensagens inspirativas para os servos de Deus. Assim começa, por exemplo, o hino 4: “Não desanimes, Deus proverá; Deus velará por ti; sob suas asas te acolherá; Deus velará por ti”.
Não é de hoje que existem hinos cuja letra é uma mensagem animadora, confortante para o crente, em vez de conterem palavras de louvor dirigidas diretamente a Deus. A despeito disso, boa parte dos Salmos bíblicos começam com ordens expressas, como “Louvai” e “Cantai”. Se tomarmos como base esse livro veterotestamentário, a maioria dos nossos hinos deveria ser de enaltecimento ao nome do Senhor, posto que apenas uma pequena parte dos Salmos é de composições com mensagens de exortação, de estímulo para o justo.

Bem, como vimos, não há problema algum em uma parte dos hinos evangélicos conterem mensagens inspirativas, em que se menciona o cuidado de Deus para com os seus servos fiéis. Mas o que é preocupante é o fato de, hoje, a maioria(quase todas) das composições evangélicas não pertencer à modalidade louvor e adoração.

Além disso, é preciso fazer uma distinção entre os hinos inspirativos e as canções de autoajuda ou que contêm sentimento de vingança. Estas, aliás, apesar de serem as que fazem mais sucesso no meio evangélico, não podem sequer ser consideradas hinos cristocêntricos, e sim canções antropocêntricas, posto que a sua ênfase recai nas necessidades e na vitória do ser humano, em detrimento da grandeza de Deus e da obra redentora.

Já citei aqui o caso do hit Faz um milagre em mim — que enfatiza mais as supostas virtudes de Zaqueu (como subir em um sicômoro para chamar a atenção de Jesus, intenção esta que não consta da Bíblia) —, o qual é um sucesso no meio evangélico, mas não pode ser considerado um hino de louvor a Deus, tampouco uma mensagem que enfatiza a grandeza do Senhor, primacialmente.

O mesmo ocorre com a canção Sabor de Mel, cujos vídeos no YouTube já atingem a casa dos milhões. Ela até começa bem, mencionando o agir de Deus na vida do crente fiel. Entretanto, ao longo da composição, não se vê menção clara e prioritária aos atributos do Senhor. Pelo contrário, o que se sobressai são bordões de autoajuda e que contêm sentimento de vingança.

É claro que há também erros de construção frasal na aludida canção, mas não vou mencionar isso para que os leitores não se desviem do foco. Observe como o sentimento de vingança se evidencia neste trecho: “Quem te viu passar na prova e não te ajudou, quando ver você na benção vão se arrepender; vai estar entre a platéia, e você no palco...” Esse tipo de sentimento, que leva o cristão a querer mostrar aos outros que ele é vencedor, e os seus inimigos derrotados, não combina com a vida cristã. Seria bom que todos os compositores lessem as palavras de Jesus registradas em Mateus 5-7.

Ainda sobre o hit Sabor de Mel, o refrão, à luz do contexto da composição, dá a ideia de que o crente está, como um jogador de futebol que conquista um campeonato, comemorando de modo provocativo, como que alfinetando os derrotados: “Mas minha vitória hoje tem sabor de mel, tem sabor de mel, tem sabor de mel. A minha vitória hoje tem sabor de mel”. Ou seja, é como se o servo de Deus tivesse a necessidade de mostrar a todos que ele venceu, e os seus inimigos perderam. Isso, definitivamente, não combina com a vida cristã.

Que Deus cuida do justo não há dúvidas. Mas não cabe a nós a vingança nem o sentimento de vingança. Em Romanos 12.19,20 está escrito: “Não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à ira [de Deus], porque está escrito: Minha é a vingança; eu recompensarei, diz o SENHOR. Portanto, se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber; porque, fazendo isto, amontoarás brasas de fogo sobre a sua cabeça”.

Ciro Sanches Zibordi

Rompendo em fé

Rompendo em fé!

Cada vez que a minha fé é provada
Tu me das a chance de crescer um pouco mais
As montanhas e vales, desertos e mares
Que atravesso me levam pra perto de Ti.
Minhas provações não são maiores que o meu Deus
E não vão me impedir de caminhar
Se diante de mim não se abrir o mar
Deus vai me fazer andar por sobre as águas*
Rompendo em fé, minha vida se revestirá do Teu poder
Rompendo em fé, a cada dia vou mover o sobrenatural**

Vou lutar e vencer, vou plantar e colher
A cada dia vou viver rompendo em fé

*Na primeira parte do texto da música, tenho a impressão que o autor esta se referindo sempre a caminhada cristã, dizendo verdades, como que provações é para nosso crescimento espiritual. Contudo, a frase em destaque me incomoda “Se diante de mim não se abrir o mar, Deus vai me fazer andar por sobre as águas”. Teríamos dado a Deus duas opções, ou ele abre o mar, ou nos faz andar sobre as águas? Por que  temos essa mania de nos comparar aos profetas e nunca ao povo hebreu que tanto errava? Queremos sempre ser como Moisés, que “abriu” o mar vermelho, ou como o próprio Cristo que andou sobre as águas! Pobre Pedro, que quando tentou andar sobre as águas, ele começou a afundar!!(Mt 14: 22-33) E, o que dizer do texto de Tiago 4: 15 “...SE o Senhor quiser, não só viveremos, como também faremos isto ou aquilo.” Então, se Deus quiser interromper nossa jornada cristã, nos trazendo a morte, ele não poderá mais? Afinal, demos a ele duas opções, ou abre o mar, ou nos faz andar sobre as águas!
Sobrenatural? Que busca incensante que vemos hoje em dia pela busca do sobrenatural! A Graça de Cristo já não basta mais?(II Co 12:9). Seria esta mensagem uma referencia ao poder da fé de mover montanhas (Mt 21:21:22)?



Colossenses 3.16   Habite, ricamente, em vós a palavra de Cristo; instruí-vos e aconselhai-vos mutuamente em toda a sabedoria, louvando a Deus, com salmos, e hinos, e cânticos espirituais, com gratidão, em vosso coração.


O texto é claro em ensinar-nos que hinos e cânticos devem ser em louvor a Deus.
Sobre esse cântico, rompendo em fé, além desse trecho que é claramente influenciado pela teologia da prosperidade, não vejo em nenhum trecho desse cântico louvor ao Senhor. 




E eu cantava isso com o maior fervor... a maior sinceridade!
Até o dia em que parei para ver que ninguém, mas NINGUÉM MESMO, tem autorização do Senhor Deus para mover o sobrenatural senão Ele próprio!
Fui procurar na Bíblia e não encontrei uma passagem sequer que mostrasse alguém MOVENDO O SOBRENATURAL... e muito menos com ousadia! Na Bíblia todos os exemplos sobrenaturais foram testemunhados e descritos, mas quando ocorreram houve sempre a orientação direta por parte do Senhor Deus... aliás, teve um que decidiu por si só e com muita ousadia mover o sobrenatural além do que lhe fora instruído por Deus! Veja como foi:
"E o SENHOR falou a Moisés dizendo: Toma a vara, e ajunta a congregação, tu e Arão, teu irmão, e falai à rocha, perante os seus olhos, e dará a sua água; assim lhes tirarás água da rocha, e darás a beber à congregação e aos seus animais. Então Moisés tomou a vara de diante do SENHOR, como lhe tinha ordenado. E Moisés e Arão reuniram a congregação diante da rocha, e Moisés disse-lhes: Ouvi agora, rebeldes, porventura tiraremos água desta rocha para vós? Então Moisés levantou a sua mão, e feriu a rocha duas vezes com a sua vara, e saiu muita água; e bebeu a congregação e os seus animais. E o SENHOR disse a Moisés e a Arão: Porquanto não crestes em mim, para me santificardes diante dos filhos de Israel, por isso não introduzireis esta congregação na terra que lhes tenho dado." (Números 20:7-12)
Hoje em dia podemos afirmar sem medo: aqueles que julgam poder mover o sobrenatural por si próprios são bruxos e feiticeiros, ou seja, mesmo não reconhecendo são "auxiliados" por satanás e seus anjos.
Moisés, o maior profeta de Israel (vide Deuteronômio 34:10) deixou de entrar na terra prometida "só" porque achou que podia mover o sobrenatural com ousadia... e os autores dessa música incentivam que façamos o mesmo? Só podem ser loucos! Ensinan feitiçaria dentro das igrejas e se esquecem do que diz a Palavra de Deus:
"Mas, quanto aos tímidos, e aos incrédulos, e aos abomináveis, e aos homicidas, e aos fornicadores, e aos feiticeiros, e aos idólatras e a todos os mentirosos, a sua parte será no lago que arde com fogo e enxofre; o que é a segunda morte." (Apocalipse 21:8)

Para piorar a mentira eles ainda ignoram o exemplo do mártir Estevão e criam uma "condição" estapafúrdia como parâmetro para a ação de Deus: "Se diante de mim não se abrir o mar, Deus vai me fazer andar por sobre as águas"... deplorável!
Se, em uma condição extrema onde haja o real risco de vida, um dia qualquer cristão genuíno se encontrar perseguido por inimigos até que esteja diante uma barreira (águas tão profundas ou um precipício) que não permita a passagem... o Senhor Deus não tem obrigação nenhuma de livrar seu corpo de perecer!
É óbvio que ele tem o poder para isso... mas isso iria servir para demonstrar a real fé que um cristão deve depositar na vida eterna? Se os primeiros cristãos eram atirados aos leões e, ainda assim, cantavam hinos, porque o Senhor Deus iria livrar sua cara?porque te achou bonitinho cantando "Rompendo em Fé"? Não seria muito mais proveitoso que o seu perecimento servisse como fator de conversão genuína para seus perseguidores, assim como Estevão foi para Paulo?
Tolo é quem pensa que há alguma promessa bíblica para os gentios em relação a milagres e sobrevivência...

Como Zaqueu???

Ciro Sanches Zibordi :


Alguns internautas têm me instigado a analisar a composição “Faz um milagre em mim”. Eu vinha evitando fazer isso, a fim de não provocar a ira dos fãs do cantor que interpreta esse hit “evangélico”. Afinal, vivemos em uma época em que dar uma opinião à luz da Bíblia desperta a fúria daqueles que dizem ser servos de Deus, mas são, na verdade, fãs, fanáticos e cristãos nominais.

Resolvi, pois, atender os irmãos que desejam obter um esclarecimento quanto ao conteúdo da canção mais cantada pelo povo evangélico na atualidade, a qual começa assim: “Como Zaqueu, eu quero subir o mais alto que eu puder”.

Primeira pergunta para reflexão: Zaqueu, quando subiu na figueira, era um seguidor de Jesus, um verdadeiro adorador? Não. Ele era um chefe dos publicanos, desobediente a Deus e corrupto (Lc 19.1-10). Nesse caso, como um crente em Jesus Cristo, liberto do poder do pecado, pode ainda desejar ser como Zaqueu, antes de seu maravilhoso encontro com Jesus?

Segunda pergunta para reflexão: Por que Zaqueu subiu naquela árvore? Ele estava sedento por salvação? Queria, naquele momento, ter comunhão com Jesus? Não. A Palavra de Deus afirma: “E, tendo Jesus entrado em Jericó, ia passando. E eis que havia ali um varão chamado Zaqueu; e era este chefe dos publicanos, e era rico. E procurava ver quem era Jesus, e não podia, por causa da multidão, pois era de pequena estatura” (Lc 19.1-3). Ele não subiu na figueira porque estava desejoso de ter comunhão com Jesus, mas porque estava curioso para vê-lo.

Terceira pergunta para reflexão: O verdadeiro adorador deve agir como Zaqueu, ou como o salmista, que, ao demonstrar o seu desejo de estar na presença de Deus, afirmou: “Como o cervo brama pelas correntes das águas, assim suspira a minha alma por ti, ó Deus! A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo: quando entrarei e me apresentarei ante a face de Deus?” (Sl 42.1,2)? Será que o pecador e enganador Zaqueu tinha a mesma sede do salmista? Por que um verdadeiro adorador desejaria ser como Zaqueu?

Mas o hit “evangélico” continua: “Só pra te ver, olhar para ti e chamar sua atenção para mim”. Outra pergunta para reflexão:Será que precisamos subir o mais alto que pudermos para chamar a atenção do Senhor? Zaqueu, segundo a Bíblia, subiu na figueira por curiosidade. Mas Jesus, olhando para cima, lhe disse: “Zaqueu, desce depressa, porque hoje me convém pousar em tua casa” (Lc 19.5). Observe que não foi Zaqueu quem chamou a atenção de Jesus. Foi o Senhor quemolhou para cima e viu aquele pecador perdido e atentou para ele (cf. Mt 9.36).

A atitude de Zaqueu que nos serve de exemplo não foi o subir, e sim o descer, para atender o chamamento de Jesus: “E, apressando-se, desceu, e recebeu-o gostoso” (Lc 19.6). Por conseguinte, pergunto: O adorador, salvo, transformado, precisa subir para chamar a atenção de Jesus? Não. Na verdade, o Senhor está com o contrito e abatido de espírito (Is 57.15). Espiritualmente falando, Ele atenta para quem desce, e não para quem sobe (Sl 138.6; Lc 3.30).

Mais uma pergunta para reflexão: Se a atitude que realmente recebe destaque, na história de Zaqueu, foi a sua descida, por que a canção enfatiza a sua subida? O mais lógico não seria cantar “Como Zaqueu, eu quero descer”? Reflitamos. Afinal, como diz uma frase que circula na grande rede, o Senhor Jesus morreu para tirar os nossos pecados, e não a nossa inteligência.

A composição não é de todo condenável, pois o adorador que se preza deve mesmo cantar: “Eu preciso de ti, Senhor. Eu preciso de ti, ó Pai. Sou pequeno demais, me dá a tua paz”. Mas, a frase seguinte provoca outra pergunta para reflexão: “Largo tudo pra te seguir”. Estamos mesmo dispostos a largar tudo para seguirmos ao Senhor? E mais: É preciso mesmo largar tudo para segui-lo?

O que o Senhor Jesus nos ensina, em sua Palavra? Em Mateus 16.24, Ele disse: “Se alguém quiser vir após mim, renuncie-se a si mesmo, tome sobre si a sua cruz, e siga-me”. Renunciar não é, necessariamente, abandonar, largar, mas pôr em segundo plano. A própria família pode ser um obstáculo para um adorador. Deve ele, nesse caso, largá-la, abandoná-la? Claro que não! Renúncia equivale a priorizar uma coisa em detrimento de outra.

Não precisamos largar a família, o emprego, etc. para seguir o Senhor! Mas precisamos considerar essas coisas secundárias ante a relevância de priorizar a comunhão com Jesus (Mt 10.27). Nesta última passagem vemos que o adorador deve amar prioritariamente o Senhor Jesus, mas sem abandonar tudo para segui-lo! Não confundamos renúncia com abandono. O que devemos largar para seguir a Jesus é a vida de pecado, e não tudo.

A canção continua: “Entra na minha casa. Entra na minha vida”. O compositor se refere a Zaqueu, mas não foi este quem convidou o Senhor para entrar em sua casa. Na verdade, foi Jesus quem lhe disse: “Zaqueu, desce depressa, porque hoje me convém pousar em tua casa” (Lc 19.5). Nota-se, pois, que esta parte da canção não é essencialmente cristocêntrica, e sim antropocêntrica. Mais uma pergunta para reflexão: O hit em apreço prioriza a obra que Jesus faz na vida do pecador, ou dá mais atenção ao que o homem, o ser humano, faz para conseguir o que deseja? A cançãoenfatiza a Ajuda do Alto, ou a autoajuda?

Outra pergunta: Um verdadeiro adorador, um servo de Deus, alguém que louva a Jesus de verdade, que canta louvores ao seu nome, não é ainda uma habitação do Senhor? Por que pedir a Ele que entre em nossa casa e em nossa vida, se já somos moradas de Deus (Jo 14.23; 1 Co 6.19,20)?

A parte mais contestada da composição em apreço sinceramente não me incomoda muito: “Mexe com minha estrutura. Sara todas as feridas”. Que estrutura seria essa? No Salmo 103.14 está escrito: “... ele conhece a nossa estrutura; lembra-se de que somos pó”. Deus, é claro, conhece-nos profundamente. Ele conhece a totalidade do ser humano: espírito, alma e corpo (1 Ts 5.23; Hb 4.12). Creio que o compositor tomou como base o que aconteceu com Zaqueu. O seu encontro com o Senhor mudou a sua vida por completo, “mexeu com a sua estrutura” (Lc 19.7-10). Deus faz isso na vida do pecador, no momento da conversão, e continua a transformar os salvos, a cada dia (2 Co 3.18).

Quanto a sarar feridas, o Senhor Jesus de fato nos cura interiormente. Mas não pense que estou aqui defendendo a falsa cura interior, associada a regressão psicológica, maldição hereditária, etc. Não! O Senhor Jesus, mediante a Palavra de Deus e a ação do Espírito Santo, cura os quebrantados do coração, dando-lhes uma nova vida (Lc 4.18; 2 Co 5.17).

Diz ainda a canção: “Me ensina a ter santidade. Quero amar somente a ti. Porque o Senhor é o meu bem maior”. Sendo honesto e retendo o que é bom na composição (1 Ts 5.21), Deus, a cada dia, nos ensina a ser santos, em sua Palavra (Hb 12.14; 1 Pe 1.15-25). Além disso, Ele é, sem dúvidas, o que temos de mais precioso mesmo e, por isso, devemos amá-lo acima de todas as coisas (2 Co 4.7; Lc 10.27).

Quanto à última frase “Faz um milagre em mim”, o compositor comete o mesmo erro de português constante da campanha de publicidade da Embratel: “Faz um 21”. Na verdade, no caso da canção o correto seria: “Faze um milagre em mim”. E, no caso da Embratel: “Faça um 21”. Quer saber por quê? Aí já é querer demais, não é? Investigue, pesquise, caro internauta, principalmente se você é um editor de blog. Conhecer o vernáculo é uma necessidade de quem lida com textos.

Diante do exposto, que os pecadores, à semelhança de Zaqueu, desçam, humilhem-se, a fim de receberem a gloriosa salvação em Cristo (Lc 18.9-14). E quanto a nós, os salvos, os verdadeiros adoradores, em vez de subirmos o mais alto que pudermos, que também desçamos a cada dia, humilhando-nos debaixo da potente mão de Deus (1 Pe 5.6), a fim de que Ele nos ouça e nos abençoe (2 Cr 7.14,15)



Texto retirado do blog do Ciro Sanches Zibordi



E essa a análise da crítica a música feita pelo Pb Sandoval Juliano
Você leu a análise que o Pastor Ciro Sanches fez sobre a música "Como Zaqueu"? Concorda com ele? Se você ler o texto que publiquei, diretamente no blog do Pastor Ciro, e ver os mais de 50 comentários postados lá, você verá que 98% concorda com a crítica que ele fez.
Eu também fui questionado sobre esta música. Sou do tipo que não aceita certas letras, certas mensagens, certos estilos...
Inclusive eu já critiquei em minhas pregações aquela música "Até tocar o céu", especialmente naquela parte em que diz que faço parte de uma "geração que ora como Daniel, geração que busca a Deus até tocar o céu".
No entanto, quando eu critico esta expressão sensacionalista e nada verdadeira, eu não peço a ninguém que deixe de cantar a música. Mas, que passe a fazer valer em sua vida diária o que está sendo dito na linda letra cantada. Não seria bom se todos nós pudéssemos cantar de coração essa bela composição, principalmente se quem estiver solando for a Josy, cantora da nossa igreja na Ceilândia Sul. (Essa música fica mais linda quando ela canta)?
Por isso, eu acho que a crítica que o pastor Ciro fez não é boa. Ela é pretenciosa. Nela, o pastor condena o que todos nós apreciamos e, quando apreciamos uma música, é porque ela fala algo que nós realmente gostaríamos de falar. Em geral, quando uma música está totalmente errada, ela nem "pega" no meio evangélico.
Quem disse, por exemplo, que Zaqueu não deve ser aplaudido pelo que fez porque a Bíblia diz que ele subiu na árvore, "apenas" para ver quem era Jesus, ou seja, por mera curiosidade, certamente está tendo por Zaqueu o mesmo sentimento que toda aquela multidão deve ter tido naquele dia. Na alma daquele povo não havia qualquer sentimento de júbilo por Jesus ter escolhido a Zaqueu para pousar em sua casa. Imagine quantas críticas não foram elaboradas sobre ele... Eu consigo imaginar alguém dizendo que Zaqueu era "esperto"; que fez uma "jogada de mestre" e levou o  homem mais famoso de sua época para pousar em sua casa; que aquilo lhe daria prestígio ou que estivesse querendo dar uma de "santo".
Todavia, eu não vejo assim. Eu prefiro utilizar a lente que Jesus utilizou. Se Jesus parou e o chamou, e entrou em sua casa, é porque Jesus sabia do que se passava na alma daquele homem. O desejo de salvação que Zaqueu tinha era tão pulsante que fez Jesus seguir o trajeto que seguiu; que fez Jesus vê-lo, mesmo escondido entre aquela folhagem.
Portanto, quando o Pastor Ciro Sanches diz que Zaqueu estava movido apenas por curiosidade, o pastor Ciro não o analisou como um pastor deveria analisar. Ele não tentou sondar a angústia que aquele homem sentia por ser corrupto, por ser desprezado pela sociedade por causa do cargo que ocupava.
Nas estrelinhas eu consigo ouvir Jesus dizendo: "Ninguém gostaria de sentar contigo à mesa, Zaqueu, porém,  eu quero pousar em tua casa; a sociedade não estende a mão sequer para te cumprimentar, eu quero te abraçar, Zaqueu".
É verdade que "não foi Zaqueu quem procurou a Jesus. Foi Jesus quem o procurou". Mas, não nos esqueçamos que Jesus só procura àquele que expressa, de alguma forma, sede de salvação.
- Lembra-se da mulher samaritana?
Outra parte da crítica é a que diz que "nós não devemos subir e sim descer". Me digam, com sinceridade: Um alto funcionário do Governo Federal subiria em uma árvore no meio da rua para ver o papa ou o Dalai Lama passar? - Certamente não. Seria humilhante para uma pessoa "nobre" um jesto tão infantil!
Subir, como Zaqueu, pode significar, em todos os aspectos, descer... humilhar-se... fazer algo que se não fosse por Jesus, provavelmente não o faríamos de maneira alguma.
Citar o Salmo 42 como um modelo exclusivo de expressão do desejo sincero de buscar ao Senhor é ignorar as inúmeras possibilidades e recursos que nosso idioma e nossa alma tem para expressar algum sentimento.
O pastor Ciro disse: "Será que o pecador e enganador Zaqueu tinha a mesma sede do salmista? Por que um verdadeiro adorador desejaria ser como Zaqueu"?
 
Meu Deus!? E o publicano que não ousou subir nos degraus do templo, mas, lá embaixo batia no peito e dizia: "Tem misericórdia de mim, miserável pecador". Não era um "pecador e enganador" como Zaqueu? - Ou, quem sabe não havia sido o próprio Zaqueu a quem Jesus agora visitava em resposta àquela oração!?
Eu serei muito extenso se analisar cada frase desta composição. Deixa-me encerrar fazendo um breve comentário sobre a expressão: "mexe com minha estrutura" que foi a mais criticada até agora.
Você sabe qual é a sua estrutura? Em que sentido essa palavra estrutura se apresenta neste texto? - Será que foi no mesmo sentido em que foi dito no Salmo citado pelo Pastor Ciro, o Salmo 103 que diz: "Ele conhece nossa estrutura, lembra-se que somos pó"?
A mesma palavra pode ganhar sentidos diferentes, dependendo do contexto. - Ou não?
Você cria um estilo de vida; você estabelece projetos para si mesmo e para sua família; você se prepara para, em determinado tempo de sua vida mudar-se para tal e tal lugar; você sacrifica-se para fazer um curso superior que vai lhe abrir portas de prosperidade e status perante a sociedade; você cria suas filhas passando para elas a idéia de que elas vão se casar com alguém bem sucedido  e que vai dar a elas uma qualidade de vida que, provavelmente, as primas delas não terão(uma hipótese).
Para alcançar tudo isto, você monta uma estrutura... Você passa a agir de tal modo que até quem te conhecia antes diz que você não é mais o mesmo, que você está "metido".
De repente, você descobre que esta estrutura(estilo de vida/jeito de ser) está lhe distanciando daquilo que o Senhor Jesus havia planejado para você.
Como Zaqueu, que ao escolher ser um publicano, não imagionou o que esta decisão afetaria em seu relacionamento com o mundo.
Ou, quem sabe, a palavra "estrutura" pode referir-se  a algo que está em sua base de criação de convivência. Se, por exemplo, você é de uma família que por natureza é racista, pode ser que você o é também e muitas vezes o seu racismo genético lhe impede de ver o que há de bom em determinadas pessoas... Mais uma hipótese.
Daí, você ora e pede: "Entra na minha casa... Entra na minha vida... Mexe com minha estrutura... sara as feridas que o meu jeito de ser provocou". É como se você pedisse ao Senhor que lhe fizesse caminhar, a apartir de agora, em sintonia com seus propósitos e objetivos.
"Não poderei eu fazer de vós como fez este oleiro, ó casa de Israel? diz o SENHOR. Eis que, como o barro na mão do oleiro, assim sois vós na minha mão, ó casa de Israel".  - Jr 18.6.
Sinceramente, Pastor Ciro Sanches, e todos aqueles que postaram um comentário condordando e aplaudindo sua análise, eu não concordo...
Eu quero, como Zaqueu, esquecer meu título ministerial, ou quem sabe, o meu jeito crítico de ser e subir na figueira; não para me projetar, não para me envaidecer(talvez eu vou até me machucar na subida ou na descida), mas para ver se, quem sabe, Jesus resolve pousar em minha casa!!! Não que Ele já não esteja em minha casa, eu tenho certeza que está. Mas, como por uma força de expressão, é como se Ele viesse pessoalmente, fisicamente(como foi à casa de Abraão). Ou como se eu dissesse que eu gostaria que Ele tratasse o meu caso de forma personalisada - como aconteceu a Zaqueu...


Retirado do site :
http://www.sandovaljuliano.com.br


Minha opinião :Eu gostaria de acrescentar um detalhe bem
relevante:
Em qual trecho da música o nome do Senhor Jesus ficou explicito?Pai pode
ser qualquer um; assim como senhor também;porque numa música com tantas linhas e palavras

, e exaustivamente repetida o nome do Senhor Jesus não foi mencionado nem uma
vez?Isto não causa estranheza?Será que a música faria tanto sucesso no mundo
profano dos pagodeiros, nas rodas de forró se o poderoso nome do Senhor Jesus fôsse o ponto vital
da música?Deixo a minha pergunta e observação.